Wired
Analistas de segurança e o governo somaliano têm flertado publicamente com a idéia de se contratar mercenários para deter os piratas que estão aterrorizando o leste da África. Agora, a notória Blackwater respondeu ao chamado, com a divulgação de um plano de ação marítimo.
“A Blackwater Worldwide anunciou hoje que seu navio de 183 pés, o McArthur, está pronto para auxiliar a indústria de comércio marítimo em sua luta contra o agravamento do problema da pirataria no Golfo de Áden”, diz uma declaração da empresa. “Como uma companhia fundada e gerida por antigos membros das forças especiais da Marinha norte-americana, com um banco de dados de 50 mil ex-militares ou profissionais do ramo de segurança, a Blackwater se posiciona de maneira única para ajudar a indústria cargueira”.
Os piratas somalianos já atacaram embarcações comerciais mais de 100 vezes só este ano. A Marinha dos Estados Unidos e seus aliados admitiram que não possuem frotas grandes o suficiente para assegurar a integridade de todo e qualquer navio. Dessa forma, os proprietários dos navios estão buscando proteção na Blackwater, conforme o Vice-Presidente Executivo Bill Mathews.
Não é exatamente uma idéia nova. Mercenários têm lutado contra piratas há bons oito séculos, no mar e em terra. Em 2005, o governo somaliano tentou contratar uma empresa de segurança privada dos Estados Unidos (Top Cat Marine Security) para prover proteção marítima – mas a companhia acabou mergulhada em um escândalo. Em junho, houve relatos não muito claros sobre uma empresa francesa que fechou um negócio de $150 milhões para ocupar o lugar da outra empresa. Um almirante dos EUA chegou até a, supostamente, reforçar o coro sobre o uso de mercenários na luta contra piratas. Mas isso levantaria mais questões legais do que qualquer um poderia imaginar.
Enquanto isso, a Blackwater procura novos formas de ganhar dinheiro, já que seus negócios com a proteção de diplomatas e executivos no Iraque mostram sinais de fragilidade. Os empregados da companhia protegem hoje interceptadores de mísseis no Japão, treinam a polícia secreta taiwanesa e costumam resgatar ocidentais do Quênia. A empresa está organizando ainda um conjunto de aviões, helicópteros e aeronaves espiãs. E não esqueçamos do trabalho da Blackwater após a passagem do furacão Katrina em Nova Orleans. Talvez a companhia consiga encontrar uma outra confusão para resolver.
Fonte: http://blog.wired.com/defense/2008/10/blackwater-well.html