Newsweek
Há seis meses, a República Democrática do Congo assinou um acordo de $9 bilhões com a China para fornecer cobre e cobalto ao país em troca de milhares de quilômetros de estradas e ferrovias. Os otimistas viram o negócio como um sinal de que o governo congolês – elevado ao poder nas históricas eleições de 2006 – estava tentando transformar sua riqueza mineral em motor do desenvolvimento econômico. Os pessimistas indicaram a ilegalidade habitual existente nas províncias de North e South Kivu, alimentada pela extração ilegal de minério, como um sinal de que fraqueza governamental para além das fronteiras da capital Kinshasa. Agora o aumento da violência no leste fez crescer o medo de que o governo congolês possa ser derrubado, com conseqüências graves para os países em toda a Áfica central.
Apesar da presença da maior força de peacekeeping das Nações Unidas (a MONUC), o leste do Congo tem sido uma terra sem lei por ao menos uma década. Diante de milícias rebeldes fora de controle e militares e policiais congoleses mal treinados, centena de milhares de civis fugiram de suas casas. A agência da ONU para refugiados relatou que mesmo seus campos não fornecem garantia de segurança contra as milícias. A tentativa mais recente em acabar com a violência – um tratado de paz assinado em janeiro deste ano – falhou em evitar os últimos combates e já é amplamente considerado como um fracasso. Numerosas tentativas de negociação com o líder rebelde mais importante da região, Laurent Nkunda, também não tiveram sucesso.
(…)
Os riscos são altos: o Congo faz fronteira com nove países africanos e a instabilidade no leste poderia se espalhar como uma guerra regional, da mesma forma que ocorreu em meados dos anos 90, gerando o maior número de vítimas em um conflito desde a Segunda Guerra. O país também tem a segunda maior floresta tropical do mundo, cuja proteção e manejo são cruciais para minimizar os efeitos negativos da mudança climática global. As riquezas mineiras do país e sua completa falta de estabilidade governamental também poderiam atrair terroristas e traficantes de armas.
Muitos analistas dizem que a paz não chegará ao Congo enquanto dois grupos rebeldes – a CNDP (de Nkunda) e a FDLR (um grupo rebelde da vizinha Ruanda) – não forem desmantelados. A disposição internacional de enviar tropas para a região parece mínima, o que deixa toda a segurança nas mãos das forças de peacekeeping da ONU. As Nações Unidas já pediram um aumento urgente dessas forças, contando com o apoio de diplomatas da União Européia.
A MONUC é a “única força possível” para proteger o leste do Congo, afirmou Anthony Gambino, ex-diretor da missão da USAID no país. “Em algum momento no futuro o exército congolês certamente conseguirá prover a segurança necessária sozinho, porém, para treinar apenas uma ou duas brigadas levará anos”, afirmou ele.
Alguns especialistas dizem que os esforços diplomáticos internacionais, na verdade, acabaram por acirrar os conflitos no leste do Congo.
(…)
“Os bons moços internacionais, apesar de suas boas intenções, acabaram por mais prejudicar do que ajudar na condução da crise ao usar um ponto de vista puramente internacional”, afirmou Séverine Autesserre, professor da Barnard College.